Refletindo sobre poluição atmosférica e o trabalho em âmbito hospitalar

Refletindo sobre poluição atmosférica e o trabalho em âmbito hospitalar[1]

CACIA

A poluição do ar vista de modo sistêmico, atinge o ecossistema como um todo, contamina as três grandes interfaces naturais: água, terra e ar. Com avanço da sociedade e das áreas tecnológicas, os ambientes de trabalho se tornam cada vez mais “reclusos”. Face à evolução dos processos inseriu-se a necessidade do conhecimento do homem sobre a engenharia e arquitetura do ambiente interno e o externo dos prédios. Neste contexto, exigências foram progressivamente sendo adicionadas aos requisitos básicos de segurança e confortabilidade das edificações.

Além dos locais de trabalho se tornarem cada vez mais fechados, o seu grau de automatização e dependência de equipamentos sofisticados de ventilação, refrigeração e exaustão, faz com que alternativas para a redução nos gastos de energia fossem desenvolvidas. Estudos indicam que o nível de poluentes do ar em locais de trabalho “fechados” é maior do que em ambientes externo, sendo assim é possível encontrar efeitos graves sobre a saúde humana mesmo quando os poluentes se encontram dentro dos padrões de segurança preconizados na legislação.

Historicamente, o uso de climatização artificial em uso doméstico e comercial teve início na década de 30 nessa época não havia preocupação com a qualidade do ar. Com o passar dos anos se percebeu que os trabalhadores desses locais começaram a adoecer com mais frequência de doenças respiratórias transmissíveis. Foi observado, também, deterioração na mobília e pintura dos espaços físicos, surgindo aí a preocupação com a qualidade e nível de poluição do ar de ambientes internos que resultou na expressão “Síndrome do Edifício Doente”.

Um alerta a qualidade do ar se dá aos serviços de saúde, todavia que, inúmeros trabalhadores desta área passam toda a sua vida produtiva exercendo sua atividade em ambientes fechados como é o caso dos profissionais deenfermagem que atuam em hospitais e mais especificamente em áreas fechadas como unidades de terapia intensiva e centros cirúrgicos. A exposição demasiada aos poluentes atmosféricos é um fenômeno que sobrecarrega o organismo e influência no rendimento do trabalho elevando as estatísticas de absenteísmo por patologias alérgicas e respiratórias, crônicas e agudas. Além disso, é importante ressaltar que os aparelhos de ar condicionado são potenciais fontes de disseminação e propagação de patógenos e podem contribuir para elevar os índices de infecção hospitalar.

Embora se saiba da importância da qualidade do ar e da sua relação com a saúde humana, no Brasil ainda há um número reduzido de pesquisas que analisam a qualidade do ar interno em estabelecimentos de saúde e, mais especificamente em hospitais. As evoluções das pesquisas sobre a qualidade do ar interno estão ligadas à evolução dos estudos sobre a qualidade do ar externo, devido à similaridade entre as duas áreas, percebe-se que o conhecimento adquirido em uma migra para a outra.

Considerando a influência da poluição ambiental na saúde dos indivíduos percebe-se o quanto é necessário que o profissional de enfermagem esteja atento para essas variáveis que vulnerabilizam o processo de trabalho. Afinal, a interface saúde e ambiente sistematiza princípios e ações que devem servir para prevenir, determinar ou reverter danos e risco à saúde humana.

[1] Texto baseado na dissertação do mestrado “ Avaliação da qualidade do ar em ambientes interno hospitalar – ênfase ao centro cirúrgico de um hospital geral do Vale do Rio Pardo, RS”.

  • AUTORA: Profª. Eliana Cácia M. Machado -Bióloga e Enfermeira – Mestre em Tecnologia Ambiental – UNISC.

 

 

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